DST: tudo o que deves saber

As doenças sexualmente transmissíveis (DST), como o nome indica, transmitem-se através do contacto sexual com um parceiro infetado. A gonorreia, clamídia, sífilis, VIH/SIDA ou hepatite B, são algumas das doenças referidas.
Os comportamentos de risco são uma das causas para o aumento das DST nos últimos anos.
A Organização Mundial de Saúde avalia que 250 milhões é o número de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST), por ano, a nível mundial. E isto é um tema sério, porque entre outras coisas, todas as DST ainda que sejam doenças assintomáticas (um paciente é portador de uma doença ou infecção mas não exibe sintomas), é importante tanto como sinal de preocupação com a nossa própria saúde, como com quem partilhamos aquele momento: sinal de cuidado, respeito pela vida.
Vejamos então quais são e quais os sintomas e como prevenir:
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– Gonorreia
Das DST mais comuns a nível mundial, provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, é a principal causa de inflamação da uretra – canal que drena a urina da bexiga. Desenvolve-se especialmente nas áreas quentes e húmidas do trato reprodutivo, incluindo o colo do útero, o útero, as trompas de Falópio e a uretra, mas também pode crescer na boca, garganta, olhos e ânus.
Além da via sexual, a transmissão também pode ser feita entre mãe e filho no decorrer do parto.
Pode ser transmitida mesmo que a pessoa infetada não apresente sintomas. Nas mulheres, os sintomas são menos óbvios, o que pode trazer problemas acrescidos, já que podem procurar tratamento médico, num estado mais avançado da doença.
O período de gestação varia entre 2 a 8 dias.
O principal sintoma da gonorreia é a uretrite -inflamação da uretra, que se caracteriza por corrimento uretral, com pus ou pus com cheiro, podendo acompanhar-se por ardor ao urinar, ou por comichão na uretra.
A gonorreia pode ser totalmente curada, desde que seja diagnosticada corretamente e tratada. O tratamento é efetuado com recurso a antibióticos. Porém, quando não tratada, a gonorreia pode levar a complicações como infertilidade e, nas mulheres, provocar uma doença inflamatória chamada de doença inflamatória pélvica, que pode ser muito grave.

– Clamídia
A clamídia é das DST mais comuns na Europa e cada vez aumenta mais anualmente. É uma infeção por Chlamydia trachomatis, e afeta frequentemente homens e mulheres jovens, com idades entre os 16 e os 25 anos.
Nos adultos e adolescentes a transmissão é exclusivamente por via sexual. Não existe risco de contágio em casas de banho ou piscinas, assim como o beijo também não é uma forma de transmissão.
A clamídia pode ser transmitida pela via sexual (anal, vaginal ou oral) ou de mãe para filho, durante a passagem do bebé pelo canal vaginal, na altura do parto.
Os doentes infetados com clamídia muitas vezes não desenvolvem sintomas durante muitos anos, tornando-se fontes de contaminação. Quando os sintomas surgem, o quadro clínico é muito parecido com o da gonorreia, sendo impossível distingui-las apenas pelos sintomas.
Quando não tratada, esta infeção, pode levar a problemas mais graves. No caso das mulheres, a bactéria pode progredir em direção ao útero, trompas e ovários, provocando infertilidade e uma grave infeção designada por doença inflamatória pélvica. Nos homens a complicação mais comum é a prostatite -infeção da próstata.
O tratamento é efetuado com recurso a antibióticos.

 – Sífilis
Sendo reconhecida como a DST desde o início do seculo XVI. É uma doença infeciosa complexa que pode infetar quase todos os órgãos e tecidos do corpo.
É uma doença infeciosa transmitida sexualmente, causada pela bactéria Treponema pallidum, que penetra no organismo através das mucosas, como as da vagina, da boca ou através da pele. Quando chega aos gânglios linfáticos, propaga-se por todo o organismo através do sangue. Pode também afetar o feto durante a gravidez, causando defeitos congénitos ou outros problemas.
O período de gestação dura de 9 a 90 dias (a média são 2 a 4 semanas).
No início surge uma ferida na úlcera, em geral única, dura, tipicamente indolor. A úlcera localiza-se, na mulher, na vagina e, sobretudo no colo uterino. No homem, esta úlcera encontra-se, mais vezes, sobre o pénis. Seis a oito semanas após a cura da lesão primária surge o período de generalização da doença. Este período de generalização caracteriza-se por febre, dores articulares, falta de apetite, suores abundantes, emagrecimento. A pele é o órgão mais atingido em 90% dos casos, surgindo uma erupção cutânea muito característica, que atinge as palmas das mãos e as plantas dos pés.
A penicilina, administrada diretamente dentro de um musculo, é o antibiótico normalmente utilizado.

– Hepatite B
O vírus da hepatite B (HBV) é transmitido principalmente através do contacto com o sangue infetado e através de relações sexuais desprotegidas (sem preservativo), já que pode estar presente não só no sangue, mas também no sémen e nas secreções vaginais.
Nos países em desenvolvimento, a transmissão de mãe para filho é também uma forma importante de contágio durante a gestação, o parto ou mesmo a amamentação.
A hepatite B não se transmite pelo suor ou pela saliva, a não ser que esta tenha estado em contacto com sangue infetado. Não existe risco de contágio através de um aperto de mão, abraços, beijos ou por utilizar pratos ou talheres de pessoas infetadas.
Trata-se de uma doença aguda mas, na maioria dos casos o vírus é eliminado pelo organismo. No entanto, em cerca de 15 a 20 por cento dos casos, o vírus mantém-se ativo e pode provocar complicações graves no fígado, entre as quais cancro.
Os sintomas são de alguma debilidade e cansaço, mas também poderá ter febre, dor abdominal, dor nas articulações e erupções na pele. A urina fica, normalmente, mais escura e as fezes mais claras.
Na sua forma aguda, é tratada com repouso e uma dieta livre de alimentos tóxicos para o fígado, como por exemplo, consumo excessivo de manteiga, gordura e produtos de carne gordurosa.
Na sua forma crónica, o tratamento é feito à base de medicamentos cujo objetivo é interromper a multiplicação do vírus e estimular a destruição das células infetadas.
Evitar a doença é muito fácil. Basta tomar as três doses da vacina que, fazem recentemente parte do plano nacional de vacinação, usar preservativo em todas as relações sexuais, e não compartilhar lâminas de barbear e depilar, material de manicura e pedicura, seringas, agulhas, bem como outros objetos que cortam ou que perfuram.

– VIH/SIDA
A Síndroma de Imunodeficiência Adquirida -SIDA, é provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana – VIH, que atinge o organismo através do contacto com uma pessoa infetada.
O VIH ataca o sistema imunitário, destruindo as células defensoras do organismo, deixando-o mais sensível a outras doenças que, sendo um corpo saudável, teria mais facilidade em combater.
A SIDA é provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana -VIH. A sua transmissão pode dar-se de três formas:
Relações sexuais; Contacto com sangue infetado; De mãe para filho: durante a gravidez, no parto ou pela amamentação.
A infeção com VIH pode apresentar sintomas que simulam uma gripe, entre uma a quatro semanas após o momento do contágio, que passam por febre, suores, dores de cabeça, dores nos músculos e nas articulações, aumento dos gânglios linfáticos.
 Esta é a fase aguda ou de passagem de corresponde também à passagem de um doente da primeira fase da infecção por HIV para a segunda, e que pode durar de 1 a 3 semanas. Sendo uma fase de grande contagiosidade devido à quantidade elevada de vírus no sangue.
Depois desta fase aguda, os doentes infetados, podem deixar de apresentar sintomas durante vários anos, sendo que o vírus continua a multiplicar-se no seu organismo, até que surgem sintomas indicativos de comprometimento do sistema imunológico, tais como cansaço não habitual, perda de peso, suores noturnos, falta de apetite, diarreia.
Se nada for feito, a doença continuará a progredir para a fase seguinte, que se caracteriza por uma incapacidade de se estabelecer uma imunidade efetiva grave, em que surgem manifestações tais como infeções e tumores, que em circunstâncias comuns não surgiriam porque seriam combatidos pelo sistema imunitário. Esta fase final da doença, designa-se por SIDA.
Os doentes infetados e acompanhados pelos médicos especialistas fazem, normalmente, tratamento com os fármacos anti retrovíricos, o que pode evitar chegarem a uma fase sintomática da doença.
A prevenção é usar sempre preservativo nas relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, material usado na preparação de drogas injetáveis e objetos cortantes ou perfurantes (agulhas de acupunctura, instrumentos para fazer tatuagens e piercings, material de manicura e pedicura).

Sejamos responsáveis, sejamos pela vida que temos e que partilhamos.

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