Autonomia das Mulheres

À medida que avanço no percurso e vivência de vida, tomo consciência da mulher que hoje sou e do papel que desempenho como tal, e percebo o peso e as consequências que este papel acarreta na sociedade em que vivo e a diferença que era, em décadas passadas.
Começando: minoria feminina nos cargos de administração das empresas. Funções iguais para cargos entre diferentes géneros, contudo o homem ganha signitivamente mais.
Nas questões domésticas e pese embora isso não me aconteça, ainda que ambos trabalhem, continua a existir diferenças na execução das lidas domésticas, tais como desempenhar as tarefas de cozinhar, tratar dos filhos/as e da casa, onde é a mulher a responsável por tudo.
O mais curioso de tudo isto e desta realidade, é que vamos consequentemente ouvindo relatos que isto tem de mudar, que temos de ter voz e que temos de combater o tão apregoado e utópico  reconhecimento de género, e  o cumprimento da justiça no mesmo acesso às mesmas oportunidades.
Temos ainda o outro lado da questão, pois os homens não querem ou pelo menos naquilo que não foram habituados ou educados a querer: mulheres autónomas, independentes, senhoras do seu nariz e das suas vontades.
Aquela emancipada que pura e simplesmente não precisa do companheiro para lhe garantir autonomia financeira, decidindo onde e quando gastar os seus rendimentos e o seu tempo. Tudo piora  quando é ela a garantir o sustento da casa, o que acaba por lhe fragilizar a autoestima e até a sua máscula afirmação.
Será que um homem moderno, sonha com a mulher que sabe bem o que quer e o que não quer, segura de si o suficiente para não querer depender dele, nem de ninguém? E ainda, a que estuda e trabalha, e que tem vida social além da vida emocional?
O que está em causa é a interrupção de expectativas entre a forma como nós fomos educadas, e como com isso vamos ganhando a nossa autodeterminação e independência e a forma como os homens foram educados. Quer queiramos quer não, hoje fazemos parte da geração que foi educada para conquistar o mundo. Fomos desde novas incentivadas a estudar, trabalhar, a viajar e, acima de tudo, a construir a nossa independência, da mesma forma como foram educados os rapazes ao longo de gerações. Mas o pior de toda esta realidade, é que ninguém se lembrou de avisar estes rapazes que as suas futuras mulheres estariam ao nível deles. Que poderiam disputar as vagas de emprego com eles,  que poderiam ter uma opinião própria, que seriam menos frágeis e menos submissas que as mães ou as avós deles e com que estavam habituados. Que poderiam e estavam no seu direito, de não querer ter filhos, ou que poderiam querer colocar a carreira em primeiro lugar deles e da família.
A questão principal passa a ser esta: que homem é confiante o suficiente para amar uma mulher que quer e pode voar? Que ame a mulher que faz parte da descendência da parceria e não da sujeição ou da obediência?
O que estas mulheres querem ou precisam é um homem seguro e que transmita tranquilidade e companheirismo. Que seja autoconfiante, que a respeite na sua essência e que as respeite sobretudo na sua vida as suas próprias metas e objetivos. Esta mulher autónoma, precisa de um homem interessante, que se faça presente, que valorize a sua companhia e a sua forma de estar na vida e que demonstre estar ao lado dela para o que der e vier.
Seres masculinos, preparem-se e acreditem: o desafio é maior, mas a recompensa também! Tornem esta realidade singular e única. Lutem pelas vossas mulheres, que quotidianamente lutam.

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